(Dica da Grazi) Nas telonas: A Cabana


Original: The Shack
Direção: Stuart Hazeldine
Elenco: Sam Worthington, Octavia Spencer, Tim McGraw
Duração: 133min

Sinopse

Um homem vive atormentado após perder a sua filha mais nova, cujo corpo nunca foi encontrado, mas sinais de que ela teria sido violentada e assassinada são encontrados em uma cabana nas montanhas. Anos depois da tragédia, ele recebe um chamado misterioso para retornar a esse local, onde ele vai receber uma lição de vida.


Para deixar claro: minha opinião aqui será totalmente voltada ao filme. Dito isso, vamos lá. A Cabana conta a história de Mack, um homem que perdeu a fé em Deus, em si mesmo e a vontade de viver plenamente. Um acontecimento especialmente doloroso causou o rompimento: sua filha mais nova desapareceu. Vestígios do que pode ter acontecido são encontrados, mas seu corpo nunca é encontrado e seu caso não tem uma resolução total. Mack vai então vivendo atormentado, perdendo a ligação com o resto da família e com o mundo. Até que um dia ele recebe uma carta convidando-o para o local onde o vestidinho ensanguentado de sua filha foi encontrado. E a carta era assinada por Deus. 



Mais do que isso eu não posso falar pois seriam spoilers muito grande visto que o filme é bastante condensado e cada cena conecta-se uma a outra formando um arco que fecha tudo que o protagonista precisa ver e entender para poder seguir em frente. 

Mack é convidado por Deus até o local onde ele parou de viver para que este possa ser aconselhado e veja a coisas de formas diferentes. A figura de Deus aqui é representada por uma mulher negra, ou seja uma mãe e indo contra as convenções da imagem Dele. Achei uma ótima sacada: Deus deixa claro que ele é o que a pessoa precisa que Ele o seja no momento, E Mack precisava de uma mãe. 

Conhecemos também Jesus, aqui representado por um ator com características de indiano/árabe. Ele é tudo que se espera: leve, reconfortante, risonho, sem muitas voltas para se fazer entender. Mack inclusive fala que se senta mais confortável em falar com ele do que com os outros. O Espírito Santo é representado por uma asiática que dá um toque de suavidade a todas as suas cenas. 



Eu esperava um pouco mais do filme visto que minha mãe é completamente fã do livro. Assiste ao longa com ela e após a sessão ela me contou de coisas interessantíssimas trabalhadas no original que - provavelmente devido ao conflito que poderia gerar e o tempo do filme - foram deixados de fora como a culpabilização da política e da religião pelos males do mundo. Então, meio que pareceu a adaptação de um livro de auto-ajuda e não propriamente uma história que critica os verdadeiros algozes dos seres humanos. Além disso o filme é desnecessariamente extenso, trabalhando com closes e diálogos que parecem meio perdidos considerando o que pode edificar ou não o protagonista. As cenas são absolutamente lindas, com uma fotografia cheia de cores suaves, dando a serenidade que se quer passar sobre os personagens espirituais, mas isso torna a trama enrolada e reduz o ritmo da narrativa deixando o filme um tantinho chato às vezes. A cena com a Sabedoria - que deve ser tanto assustadora quando magnífica no livro - ficou meio superficial. 




Apesar disso o filme usa muito bem sua premissa básica: a de ser um filme para refletir e adorar. Não há discriminação aqui. Não há tentativa de dizer que os descrentes vão para o inferno ou de separar religiões (apesar de ser um filme claramente cristão). Deus deixa claro que ama todos os seus filhos e sente dor quando eles se desviam de seus caminhos, mas cabe apenas a eles julgá-los. Os diálogos são menos intensos do que achei que seriam e a solução para o protagonista é mais fácil do que eu acho que deveria ser, mas não deixam de ter frases dignas de citação e de serem usadas para aprendizado.

As atuações são um caso a se comentar: Sam Worthington (Mack) é sofrível como sempre. Para um homem sofrendo e confuso como seu personagem ele não demonstra sentimento algum. Octavia Spencer, que podemos concordar ser ótima, parecida uma caricatura de sua personagem em Histórias Cruzadas combado com O Oráculo de Matrix. Convenceu-me como Deus? Na maior parte das vezes. Mas sendo ela poderia ter sido muito melhor. Não tenho o que reclamar sobre Sumire Matsubara (o sopro da vida, Espírito Santo). Suas cenas são lindas, mas não poderia ser diferente quando se conta com uma competente direção de arte. Mas quanto ao Avraham Aviv Alush eu preciso dizer: que atuação divina (rs). Ele comporta-se do jeito que qualquer pessoa realmente crente e de fé poderia esperar de Jesus. Não sei nem dizer o quanto ele me tocou. Sem dúvida suas cenas são o ponto alto devido ao seu ótimo trabalho interpretando o inimaginável. Não tem um pingo de presunção nele. Fiquei totalmente comovida. Alice Braga faz uma participação especial e não tenho o que dizer de negativo sobre ela também. Eu só queria que ela tivesse mais com o que trabalhar.




A Cabana é, portanto, um filme primariamente feito para cristãos, porém respeitoso. Edificante? Sim, mas um tanto tedioso pelo prolongamento desnecessários de discussões já levantadas. Exagera nas cenas coloridas para exaltar a paz e serenidade dos espíritos e sua casa, mas convence quem foi lá para isso.  Responde as questões centrais do protagonista? Infelizmente, não. Tenta passar a mensagem de que a crença te leva a alcançar a paz interna? Sim, Mas não vejo problema nisso.  É difícil, então, ir com o coração aberto à história e não sair do cinema mais leve. Apesar de ele trabalhar as questões do protagonista com frases conhecidas e de forma não-original. Faltou problematização.

Dito isso, aconselho que leia o livro. Não existem problemas de tempo lá. Questões maiores, inclusive a do pai violento e da família quebrada, devem ser trabalhadas lá. 

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2 comentários :

  1. Eu AMEI esse filme, mas li o livro.Engraçado que tenho esse livro há um tempão, mas nunca surgiu a curiosidade pela história sabe? e daí eu vi o filme e me acabei de tanto chorar de tanto que amei HAHAHA
    sério. nos faz pensar em certas coisas das nossas vidas que ai ai, precisamos ver mais vezes.

    beeijão :)
    http://www.carolhermanas.com.br/

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  2. Lembro do boom que foi o lançamento desse livro, mas na época não tive vontade de ler. Talvez agora com o filme (que segundo dizem está muito bom), eu finalmente leia :D

    Beijos,
    Pri
    www.vintagepri.com.br

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